Antes de iniciarmos a nossa narrativa, convêm explicar ao leitor do que se trata o Jardim de Erídano.
Erídano é um Rio que surge no Ocidente que deságua no fundo do Hades (Submundo/Inferno). A sua História está ligada ao Mito de Faetonte, filho do Titã Hélíos ou, de outras fontes, o Deus Apolo. Não importa. O que há é que o filho do Deus solar solicitou ao seu Pai que pudesse guiar a carruagem solar no firmamento durante um dia, da Alvorada ao Crepúsculo. Sabendo o quanto os cavalos que puxam a carruagem são rebeldes e impulsivos, uma condução inexperiente o levaria a Caos e a sua ruína. Mesmo com os alertas do seu Pai, Faetonte sobe na sua biga e o conduz. Infelizmente, o jovem não tem o mesmo pulso firme do seu Pai e os cavalos o acabam por derrubá-lo dos céus e caindo sobre as águas do Rio Erídano. As suas irmãs, desoladas devido a sua Morte, se transformam em choupos (árvores) as margens do lendário Rio.
Este mesmo Rio atingido por um semideus caído dos céus, contendo Dríades transformadas em suas margens e acaba por desaguar no Hades.
Rio mais Psicopompo eu não poderia desejar!
Portanto, comecei a trabalhar em suas margens para construir o meu Jardim e Local de Poder.
Imaginei que poderia trabalhar naquelas margens e irrigar as minhas sementes para fazer os meus trabalhos mágicos ali.
O que não sabia que as margens do Rio são território de Hades.
E contêm vigias...
— Ei, humano... O que fazes aqui? — perguntou a criatura apontando-me com a sua Foice enorme.
Eu fiquei assustado. Não queria problemas com qualquer um naquele lugar.
— Eu sou... — hesitei.
Eu não posso dizer o meu nome verdadeiro, porque nos Reinos Mágicos nomes têm poder, com eles que se evocam e conduzem feitiços exclusivos para os seus alvos. Bastando mentalizar.
Sabendo disso, retruquei:
— Podoto. — disse-lhe o nome de um dos meus personagens dos meus contos que havia criado a pouco tempo.
O ser encapuzado ergueu um pouco a sua cabeça e disse:
— Podoto... Interessante... Aqui são as Margens do Rio Erídano. São um dos quatro rios infernais. Ninguém tem a pretensão de construir qualquer coisa aqui. Retira-se com o seu pseudo-corpo espiritual e viva a sua Vida terrena enquanto pode — argumentou a criatura.
Levanto-me e tento justificar:
— Eu sou um Mago. Eu estou manifestando o meu desejo de construir o meu Local de Poder para ligar-me a este Mundo com o Mundo Terreno.
Juro que ouvi um pigarro da criatura antes que pudesse dizer alguma coisa.
— Acha mesmo que basta chegar num terreno, desenhar linhas retas no solo e declarar que é seu, consiste uma observação clara de reconhecimento do verdadeiro proprietário? — disse a criatura.
Eu respirei fundo.
— O que tenho que fazer para ter o direito para construir o meu Jardim?
Não sei se foi impressão minha, tenho certeza que, abaixo daquele capuz, surgiram duas bolas de Luz brilhantes no lugar dos olhos da criatura.
— Possui três moedas? — pergunta a criatura.
(Continua).
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